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Venezuelanos não podem ficar nas ruas de Pacaraima durante a noite, orienta Exército

Estrangeiros devem buscar abrigos ou seguir viagem; justificativa do Exército é a falta de estrutura e segurança

Créditos: Ana Paula Lima
Imigrantes devem procurar abrigamento ou seguir viagem - Arquivo/Roraima em Tempo/Edinaldo Morais

Os venezuelanos em situação de rua no município de Pacaraima, ao Norte de Roraima, devem procurar abrigamento ou saírem da cidade, durante o período noturno. A medida foi tomada pelo Coordenador da Operação Acolhida, General Eduardo Pazuello, e confirmada pela assessoria ao Roraima em Tempo.

A medida passou a valer na noite dessa quarta-feira (31). Segundo a comunicação da Acolhida, uma nova reunião deve ser feita para definir se a ação será estendida à capital Boa Vista, uma vez que, a princípio, a determinação se restringe a Pacaraima, na fronteira com a Venezuela.

Estima-se que, diariamente, cerca de 400 venezuelanos atravessam para o lado brasileiro. Grande parte busca alimentos, remédios ou segue viagem para Boa Vista.

De acordo com a assessoria, "os imigrantes desassistidos serão orientados a ocupar abrigos ou a procurar residência para pernoitar ou, ainda, seguir viagem, pois a cidade de Pacaraima não comporta as pessoas nas ruas devido à falta de segurança e infraestrutura".

Em caso de descumprimento, o Exército não irá empregar força aos venezuelanos. "Serão orientados como proceder e apresentadas essas alternativas", reforçou a assessoria.

HISTÓRICO

A cidade fronteiriça, situada a 215 quilômetros de Boa Vista, foi palco de uma série de ataques de brasileiros contra os venezuelanos em agosto do ano passado. À época, moradores destruíram acampamentos e atearam fogo em pertences dos imigrantes. Eles ainda expulsaram pessoas da cidade para o lado venezuelano.

O tumulto teve início em decorrência de um assalto a um comerciante da região e a suspeita era que venezuelanos tivessem praticado o crime. A solicitação era para um controle de entrada de pessoas atravessando a fronteira. Logo após o ocorrido, mais de 1,2 mil venezuelanos retornaram ao país de origem.

CONFLITOS

Em fevereiro deste ano, o presidente Nicolás Maduro mandou fechar a fronteira com o Brasil, para impedir que ajuda humanitária dos Estados Unidos chegasse ao país. A medida extrema gerou conflitos entre venezuelanos e a Guarda Nacional Bolivariana (GNB).

A fronteira foi reaberta quase três meses depois. Com isso, o fluxo de entrada de estrangeiros, que havia diminuído pela metade, voltou aos índices anteriores ao bloqueio entre os dois países.

Além disso, um relatório da Polícia Federal mostra que nos últimos dois anos, mais de 262 mil entradas de venezuelanos foram registradas na fronteira de Pacaraima.