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Travesti encontrada morta em saco de estopa foi vítima de transfobia, diz ATERR

Familiares identificaram o corpo sendo de Letícia, 17 anos; crime ocorreu no Santa Luzia

Créditos: Yara Walker
Letícia, 17 anos, foi encontrada por comerciante na tarde de domingo - Reprodução/Redes Sociais/ATERR

O corpo encontrado no último domingo (19) em um saco de estopa, no bairro Santa Luzia, zona Oeste de Boa Vista, foi identificado pelo Instituto de Medicina Legal (IML) como sendo da adolescente Letícia, 17 anos.

Segundo o laudo do IML divulgado nesta terça-feira (21), Letícia morreu por asfixia, ocasionada por estrangulamento com uma fita de borracha.

Em entrevista à reportagem, a presidente da Associação de Travestis e Transexuais de Roraima (ATERR), Sabrina Nascimento, disse que a jovem pode ter sido vítima de transfobia (atitudes, sentimentos ou ações negativas, discriminatórias ou preconceituosas contra pessoas transgênero, ou pessoas percebidas como tal).

"Este é mais um caso de ódio contra transexuais em Roraima e lamentamos este crime. Por isso, desde o momento que soubemos do ocorrido fomos procurar a família para ajudá-los. Diante da perícia e da confirmação das causas da morte queremos que a justiça seja feita", relatou Sabrina.

O cadáver foi identificado através de exame de papiloscopia realizado pela perícia da Polícia Civil. Os familiares também identificaram o corpo e informaram que a jovem morava com o irmão e estava desaparecida há dois dias.

ENTENDA

A Polícia Militar (PM) foi acionada após um comerciante encontrar o corpo debaixo de galhos no quintal da propriedade. O morador informou que ele e outras duas pessoas faziam uma limpeza no local que acabara de alugar, quando encontraram o cadáver.

Também foi encontrada uma arma branca que teria sido usada para perfurar o corpo de Letícia.

NOTA DE PESAR

"Letícia, travesti, tinha apenas 17 anos. Depois de ser assassinada, foi colocada em um saco de estopa e jogada num terreno baldio [...]. Apesar de muito jovem e cheia de vida, Letícia já tinha conhecido a violência e a prostituição e sua história trágica repete a história de milhares de pessoas Trans. A condição em que seu corpo foi encontrado pode sinalizar mais um crime de ódio, a exemplo de tantos que vêm sendo cometidos contra travestis na história do Brasil", citou o trecho.

A ATERR ressaltou que tem atuado para produzir e fortalecer uma rede de apoio para as pessoas Trans no estado. "A associação reconhece os limites de sua atuação diante de uma sociedade que nega direitos aos jovens, discriminando-os, excluindo-os e até eliminando-os como se fossem descartáveis", criticou parágrafo da nota.

De acordo com associação, a insegurança e a violência têm crescido na cidade, entretanto, o texto cita que [a sociedade] não pode se calar diante do crime, que além de atentar contra os direitos humanos, "tirando a vida de alguém tão jovem como Letícia", ainda ataca a própria dignidade humana na expressão de diversidade, produzindo efeitos negativos.

"Não apenas na vítima, mas em toda a comunidade de pessoas Trans do estado. A ATERR espera que haja investigação e que se encontre a pessoa responsável por mais esse crime contra a vida de uma travesti, porque nossas vidas importam!", finalizou a nota.