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Paciente da Maternidade de Roraima narra perda de filha e denuncia imprudência médica

Mulher conta que médicos tentaram induzir parto normal por três dias antes de comprovarem que cesariana seria o método mais seguro

Créditos: Pedro Barbosa, Rádio 93FM
Caso ocorreu na Maternidade na semana passada - Arquivo/Roraima em Tempo/Edinaldo Morais

Havia expectativa de Francimara pelo nascimento da filha Agatha. Mas o sonho de ser mãe foi interrompido no momento do parto, na Maternidade Nossa Senhora de Nazaré, na última sexta-feira (6).

Francimara Barros Costa acredita que a filha foi morta por imprudência da equipe médica. Ela explicou que exames feitos antes de ser internada na unidade mostravam que o parto deveria ser cesariana. Entretanto, os médicos induziram o parto normal por três dias. Vários medicamentos foram dados, o que fez ela sentir dor.

"Sempre fiz os exames necessários durante a gravidez. Fui encaminhada à Maternidade, pois recebi orientação médica de que a neném estava atravessada, além de diabete descompensada, e que eu deveria fazer parto cesariana. Mas os médicos na unidade insistiram que meu parto deveria ser normal. Eles me deram vários comprimidos, e tenho quase certeza que um deles matou a minha bebê", afirmou.

A paciente também contou que os médicos só desistiram de induzir o parto após insistência de uma acompanhante. Ela foi encaminhada para a sala de cirurgia, fez a cesariana, mas já era tarde demais para a Agatha.

"Me aplicaram uma injeção, comecei a me debater, e a minha acompanhante saiu correndo da sala, desesperada, pois viu que eu estava passando mal. Outro médico entrou na sala, e viu que não teria como o parto acontecer normal. Me colocaram nua em uma cadeira de rodas, e fui encaminhada para o centro cirúrgico. Fiquei sentindo dor, pedia socorro, mas ninguém fazia nada. Subi na mesa de cirurgia sozinha, e esperei. Os funcionários me trataram friamente durante todo o processo, e a bebê nasceu morta", lamentou.

Os momentos de terror vividos por Francimara fez com que ela denunciasse o caso e entrasse na Justiça para que haja investigação. "Não fui a primeira. Se não houver um basta, não serei a última. Vi como as mulheres são maltratadas e irei denunciar onde for preciso, mesmo que isso não traga minha filha. É muita dor, e isso tem que parar", declarou.

CITADA

A direção da Maternidade informou, em nota, que não houve falha na conduta médica do atendimento prestado à paciente, e que lamenta o ocorrido.

"Reforça que o setor de serviço social acompanha todos os casos em que é necessário o acolhimento social especializado. E que tem intensificado o trabalho para garantir melhorias na prestação dos serviços e atenção para todas as pessoas que busquem as unidades hospitalares da rede estadual", afirma a nota.