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Paciente com aneurisma aguarda há 5 meses por cirurgia devido à falta de leitos de UTI no HGR

Francineide de Jesus já presenciou três mortes de pacientes com o mesmo diagnóstico

Créditos: Yara Walker
Francineide de Jesus pede respostas do Governo do Estado sobre a situação - Arquivo pessoal/Claudia Souza

A paciente Francinelde da Conceição de Jesus, 47 anos, diagnosticada com aneurisma cerebral em outubro de 2020, procurou a reportagem para denunciar que está internada há cinco meses no Hospital Geral de Roraima (HGR) à espera da cirurgia. Conforme a família da mulher, a demora para realizar o procedimento pelo Estado ocorre pela falta de matérias e de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no local.

Por meio de vídeo, Francinelde afirma que durante o período de espera na unidade já presenciou três mortes de pacientes com o mesmo diagnóstico que o dela pela falta de leitos. Ainda conforme a mulher, os médicos afirmam que ela tem "bomba relógio na cabeça" e que precisa da cirurgia para melhorar o quadro de saúde. Por isso, pede respostas do Governo do Estado sobre a situação.

"Tem várias pessoas na mesma condição que a minha. Estou pedindo socorro e que alguém faça algo por nós. Ontem mesmo morreu uma paciente e a próxima pode ser eu. Preciso dessa cirurgia para sobreviver. Não quero morrer! Vão esperar todos morrerem para fazer alguma coisa?".

Com o agravamento da situação, a família acionou a Justiça de Roraima em março deste ano, que já concedeu liminar a favor da paciente para que o Estado informasse no prazo de cinco dias a possibilidade de realizar a cirurgia. Ainda assim, o Executivo não se manifestou e a paciente segue sem esclarecimentos.

Segundo a cunhada de Francinelde, Claudia de Souza, a paciente precisa com urgência do procedimento, pois os medicamentos para dores não surtem mais efeito para ela que apresenta fortes crises devido à doença.

"Ela tem crises, desmaia e tem convulsões. Nós compramos todos os medicamentos, mas eles já não funcionam. O Governo não nos dá respostas, primeiro disseram que faltava materiais para a cirurgia, depois faltava UTI. Já fomos na Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), fizemos de tudo", relatou.

Para Claudia, o Executivo está usando como desculpa a pandemia do novo coronavírus para não realizar mais cirurgias na unidade.

"Na mídia ele diz que a pandemia está controlada, mas a situação da saúde é outra. Está em colapso. As pessoas estão morrendo de outras doenças. Quem pode, faz cirurgias particulares. Eu mesma precisei retirar um mioma do ovário e vendi o único transporte que tinha para pagar o procedimento. E quem não tem como custear? A Francinelde precisa dessa cirurgia, não temos como pagar", denunciou.

De acordo com ela, o Executivo está 'matando' os pacientes pela negligência e falta de medicamentos. Além disso, ela questiona a falta de recursos, mesmo com auxílio do Ministério da Saúde.

"Sabemos que o Governo recebeu milhões para investir na saúde. Cadê esse dinheiro? Está faltando material, mesmo com tanto recurso, falta medicamentos e as famílias tem que comprar com o próprio dinheiro. Fico revoltada com esta situação. Já perdi meu marido para a Covid-19 no HGR e agora corro o risco de perder minha cunhada que é operável", lamentou.

CITADA

A reportagem entrou em contato com a Sesau que informou, por meio de nota, ter prestado todas as informações necessárias à família sobre a possibilidade de cirurgia da paciente e que em nenhum momento se furtou de oferecer o tratamento adequado.

A pasta destacou ainda que por conta da pandemia da Covid-19, as cirurgias eletivas estão temporariamente canceladas, seguindo recomendação do Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Saúde (Conass) para suspensão de cirurgias eletivas no Brasil.

"A Sesau nega falta de insumos médico-hospitalares e de remédios e informa que todos os medicamentos estão sendo substituídos por similares, sem alteração do tratamento clínico dos pacientes. A falta de certos medicamentos é em razão do avanço da segunda onda da covid-19 no Brasil, e do aumento do consumo desses itens, sendo que o mercado nacional está com dificuldade para atender à demanda não apenas em Roraima, mas em todo o País", completou.

A nota salienta também que a gestão fez a importação direta de medicamentos e solicitou ao Governo Federal a compra emergencial por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

"Também esclarece que não faltam leitos ou UTIs para cirurgias visto que está com pouco mais de 60% de sua capacidade preenchida, tanto na UTI quanto nos leitos clínicos. Há um plano contínuo de abertura de novos leitos, de modo que, desde o início da pandemia, por exemplo, o número de leitos de UTI aumentou mais de 600%. Os leitos de enfermaria também foram ampliados. Dentre as novas estruturas, estão os 120 leitos clínicos do Hospital Estadual, antigo Hospital de Campanha, cuja abertura ocorreu no início de fevereiro", reforçou a Sesau.

A Secretaria encerra pontuando que todos os recursos recebidos pelo governo federal estão sendo investidos na saúde pública, visto que Roraima foi o único estado que não colapsou durante a pandemia, não precisou transferir pacientes, não teve falta de leitos ou de oxigênio.

"A Secretaria reforça que o familiar tem direito ao ressarcimento do valor gasto com a eventual compra de qualquer remédio que, porventura, não esteja disponível na Unidade no momento do atendimento, desde que o medicamento tenha sido registrado no prontuário do paciente. O responsável pode procurar a Ouvidoria da Sesau, no telefone: (95) 98410-6188 e no email: [email protected], de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, para fazer a solicitação", concluiu.