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Com apenas um médico, PAMC registra proliferação de doenças infectocontagiosas

Familiares de presos fizeram um protesto no Centro Cívico para pedir melhorias para a unidade

Créditos: Anderson Soares
Imagens foram feitas de dentro da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo - Reprodução

O Roraima em Tempo teve acesso a fotos de presos doentes e debilitados que cumprem pena na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (PAMC), o maior presídio do Estado. Conforme a denúncia, o problema piorou depois que os 511 detentos da Cadeia Pública de Boa Vista foram transferido na madrugada do dia 12 de julho para unidade.

Procurado pela reportagem, o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários de Roraima (Sindape), Lindomar Sobrinho, informou que, de fato, os presos estão ficando doentes no presídio e que há apenas um médico para atender a demanda dos mais de dois mil reeducandos.

"Todos estão adoecendo, cheios de sarnas e furúnculos. Os soros positivos estão há mais de dois meses sem receber a medicação. Sem contar que a penitenciária tem apenas um médico que atende uma vez ao mês", detalhou.

Ele acrescentou que, ao perceber a situação, a categoria solicitou à Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc) que transferisse pelo menos os presos que estão doentes debilitados e os idosos. "Porque com esse calor eles não vão suportar. Vamos ter mortes diárias a partir que começar o período quente", declarou Sobrinho.

Ainda segundo o presidente, os presos não estão recebendo o devido atendimento médico e muitos estão tendo que conviver com as doenças. "Têm presos apodrecendo vivo, condenado à morte e nenhuma providência é tomada. A gente lamenta isso porque não era para estar acontecendo", frisou.

Preferindo não se identificar, a mãe de um preso da PAMC disse acompanhar a situação do familiar no presídio. "Os presos estão morrendo de fome e sede lá dentro e, principalmente, pelas doenças que estão sendo transmitidas facilmente. Eles têm de pagar as penas sim, mas a forma que isso está ocorrendo, estão vivendo pior que animais", comentou.

SEPARADOS DOS DEMAIS

Em nota, a Sejuc informou que na PAMC existem internos que estão contaminados com doenças infectocontagiosas e que os mesmos estão separados dos demais, recebendo tratamento médico adequado. "Luvas e máscaras estão disponíveis para quem tem contato com esses internos", citou a nota.

A pasta informou ainda que de segunda a sexta-feira há atendimento médico no presídio, com disponibilidade de clínico geral, psiquiatra, psicólogo, odontólogo e nutricionista. Aos finais de semana e feriados, se houver necessidade de atendimento, o detento é levado ao Hospital Geral de Roraima (HGR).

"Esclarecemos que a limpeza do presídio é feita por internos classificados para trabalho na Unidade, e que está aderindo a uma ata da Casa Civil que trará novos produtos de higiene para o sistema prisional", reforçou a nota.

MANIFESTAÇÃO

Os familiares dos presos protestaram nessa terça-feira (27), na Praça do Centro Cívico, para reivindicar melhorias na PAMC. A mãe de um preso contou que a proliferação de doenças aumentou nos últimos meses.

"Como os agentes carcerários estão querendo entrar em greve por motivos pessoais deles, veio à tona que os nossos parentes estão sendo mal tratados, sem medicação, gente morrendo sem beber água e nem medicação estão recebendo. Estamos aqui procurando ajuda para melhorias deles, como kits de higiene e atendimento médico básico", explicou.

A mulher comentou que os familiares dos presos conversaram com deputados na Assembleia Legislativa de Roraima e alguns parlamentares se comprometeram a ajudar no que for preciso. Inclusive, está previsto para o assunto ser debatido em audiência pública que irá ocorrer na sexta-feira (6).

"A situação está crítica lá [na PAMC]. Os presos estão sem tomar banho, caindo aos pedaços de podre e fedendo. São 15 numa cela em que a capacidade é apenas para quatro pessoas. Tem gente dormindo no banheiro. 27 dias depois de serem transferidos para PAMC continuam com a mesma roupa", detalhou.

Após a manifestação, o grupo seguiu para o Ministério Público para formalizar a denúncia para que o órgão fiscalizador tome providências em relação à situação dos presos da Penitenciária Agrícola. "Queremos melhorias para eles e que voltem a cumprir pena na Cadeia Pública", completou.

OUTRO LADO

Sobre a manifestação, a Sejuc informou que devido à má utilização de água por parte dos internos da PAMC, que ocasiona desperdício e problema de vazão, a distribuição foi reduzida. "O sistema de distribuição é por meio de caixa d'água e por isso é necessário uso consciente. A previsão é que até sexta-feira (30) tudo seja regularizado", citou a pasta.

O aumento no número de detentos em uma mesma cela foi necessário devido à obra na unidade, que impossibilita o uso das celas que passam por reforma. "Assim que a obra for concluída, haverá distribuição dos presos e a quantidade de internos nas celas diminuirá".

Quanto às doenças, a secretaria informou que todos os internos passam por triagem de saúde e, se identificado quaisquer enfermidades, é iniciado tratamento adequado por meio da Unidade Básica de Saúde (UBS) instalada na PAMC.

"Os detentos diagnosticados com tuberculose e outras doenças infectocontagiosas são separados e o tratamento é iniciado", garantiu a Sejuc.

A pasta ressaltou ainda que no mês de setembro todos detentos passarão por consulta com médico especialista em um mutirão de saúde que está sendo programado em parceria com a Secretaria de Saúde.