Questão de Opinião

Crônicas Cabocas: Educação pelo Esporte ? FEIJ!

As pessoas que vivem na Amazônia, nomeadamente os ribeirinhos, os cabocos, precisam saber nadar, é questão de sobrevivência


As pessoas que vivem na Amazônia, nomeadamente os ribeirinhos, os cabocos, precisam saber nadar, é questão de sobrevivência. - "Nadar cachorrinho", dizia a Mãe do caboco, na forma simples de ser.

O garoto caboco foi levado por seu Pai, com seus dois irmãos, para aprender a nadar na FEIJ (Federação Educacional Infanto-Juvenil), em fevereiro de 1966, quando estava no curso primário no Grupo Escolar "Desembargador Augusto Olímpio".

Mais que nadar ingressou para os quadros da entidade que tem por finalidade trabalhar pela educação e assistência social da infância e da juventude, educando sob tríplice aspecto: intelectual, físico e moral. Fundada em 1949, a FEIJ utiliza como metodologia a "educação pelo esporte", sob o lema mens sana in corpore sano, utiliza como símbolo a Rosa dos Ventos.

O infante caboco fez adaptação inicial de um mês no Grupo Escola da FEIJ, onde aprendeu sobre a entidade, o código de honra e o código de deveres, os hinos e as bandeiras, higiene na sede, na piscina, no vestiário e sobre acampamento, com sinais e prova de nó, fez prova sobre orientações e prova obrigatória de natação, superando exigência de atravessar a piscina de oito metros, ingressando na Associação Couto de Magalhães (fundada no dia 24 de junho de 1934, cor verde) uma das quatro associações FEIJ, as outras são Benjamim Sodré (cor amarela), Geraldo de Carvalho (cor azul) e Braz de Aguiar (cor vermelha).

As quatro associações filiadas da FEIJ possibilitam realização das Olimpíadas Feijianas, com encerramento dia 21 de abril, Campeonato da FEIJ, em primeiro e segundo turnos, com encerramento dia 12 de novembro, além de outras atividades esportivas, cívicas, culturais e recreativas.

Esses eventos esportivos possibilitaram ao caboco praticar, além da natação, dedicado ao estilo peito, basquete, vôlei, futebol de salão (dividiu artilharia com outros dois com 17 gols, em 1973), futebol de campo, atletismo, tênis de mesa e xadrez, consciente de seu problema cardíaco. Dentre outras atividades feijianas, foi discotecário, chefe de cozinha, dirigiu grupo de teatro e chefiou acampamentos. O Pai do caboco jamais permitiu que jogassem baralho: - "Jogo de cartas, não."

Na Associação Couto de Magalhães tornou-se chefe de equipe aos onze anos de idade (os menores de quinze anos formavam três equipes por Associação), chefe de grupo aos quatorze (responsável pelas três equipes da Associação), presidente da Associação aos vinte e sete e aos trinta e três anos presidente da FEIJ (renunciou para tomar posse no cargo de juiz de Direito de Roraima, em 1991).

O caboco marajoara, agora idoso, continua participando das atividades feijianas, procurando retribuir o muito aprendido com elementos normativos, titular do Quadro de Conselheiros Vitalícios da FEIJ, consciente que "o homem deve ter espírito jovial e ser limpo de corpo e pensamento". Foi agraciado com o "Mérito Feijiano", em novembro de 1999, "pelo trabalho desenvolvido em prol da educação e da assistência social da infância e da juventude". 

GURSEN DE MIRANDA - O autor é professor de Direito (UFRR), presidente da Academia Brasileira de Letras Agrárias e desembargador aposentado (TJE/RR).