Questão de Opinião

Imigração: o que é ruim ainda pode piorar

É visível a irritabilidade dos moradores de Boa Vista e até do interior


No domingo eu assistia TV e curtia preguiça quando uma reportagem da Globo News me chamou atenção. Venezuelanos que estão morando no Rio de Janeiro estão entre a cruz e a espada.

São nove mulheres e 11 crianças que terão que deixar o abrigo temporário em que estão há seis meses. É que eles saíram de Roraima dentro do programa de interiorização e na prática teriam que deixar o local em seis meses. Acontece que essas mulheres não conseguiram uma colocação no mercado de trabalho, o que é difícil na atual situação do País.

Essa poderá ser uma tendência a partir de agora. Afinal, mais de 10 Estados receberam imigrantes e muitos ainda não conseguiram um emprego. São mais de 10 mil venezuelanos que deixaram Roraima por meio de programa do Governo Federal, igrejas e ONG's. Famílias, mulheres ou homens solteiros e crianças começando uma nova vida sem saber o que vem pela frente.

Minutos depois de assistir a reportagem fiz uma postagem relatando a situação e pelos comentários podemos perceber a irritabilidade dos moradores de Boa Vista e até do interior. Não podemos negar o caos vivido há pelo menos três anos e os problemas enfrentados diariamente. Há poucos anos a capital não tinha moradores de rua e pedintes. Atualmente as cenas são vistas para onde olhamos. Isso acabou com a paciência das pessoas.

É certo que essa conta não é de Roraima e que um país não cabe dentro de um Estado. E as coisas pioram quando esse lugar é o mais pobre do Brasil. Prefeituras e Governo não deram e não darão conta de resolver situação. Apenas são obrigados a suportar tal demanda sem repasses específicos.

O Governo Federal deveria, segundo o Governo de Roraima, repassar mais de R$320 milhões por ano só referentes aos serviços de saúde, educação, sistema prisional e assistência social. Isso sem contar com Operação Acolhida que mantém 13 abrigos no Estado, 11 em Boa Vista e dois em Pacaraima. A prefeitura de Boa Vista também recebe uma demanda crescente nos postos de saúde, Hospital Santo Antônio e escolas, por exemplo.

Voltando ao assunto que citei que venezuelanos podem retornar para Roraima devido à falta de oportunidades, isso seria mais um agravante para a crise humanitária. Primeiro que a Venezuela está longe de uma melhoria na sua situação econômica e política e depois porque se as coisas não derem certo para essas pessoas nas regiões nordeste, centro-oeste, sul e sudeste, é para perto da fronteira que elas vão voltar.

É preciso ações mais eficazes e estratégias mais concretas. Tapar o sol com a peneira não vai adiantar, afinal, a população já está cansada de tantos discursos e muitos problemas que parecem não ter mais fim.

Qual é o caminho para sairmos desde marasmo? 

BRUNO PEREZ - O autor é jornalista e apresentador da TV Band Roraima e rádio 93 FM.


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