Coluna Roraima Alerta

05.04.19_RR Alerta

Ailton Wanderly deixa Sesau denunciando corrupção


Pólvora

A saída de Ailton Wanderley da Secretaria Estadual de Saúde reascendeu um barril de pólvora entre os aliados do governador Antonio Denarium (PSL). Ao deixar a pasta, o ex-secretário não colocou freio na língua e, nas entrelinhas, deixou claro que a Sesau funciona como espaço para enriquecimento ilícito há muito tempo. Ele inclusive, citou a pressão sofrida por políticos locais, incluindo senadores. De acordo com Ailton, a prioridade é atender aos interesses de empresas privadas, enquanto a qualidade do serviço ofertado à população só piora. A saída de Ailton acontece em meio a um crise na área. As Unidades seguem desabastecidas, as reclamações dos usuários são constantes e esta semana, mesmo com decisão da Justiça para o retorno das cirurgias eletivas, os ortopedistas cruzaram os braços porque não têm os insumos necessários para realizar esses procedimentos.

 

Quem?

Não é tão difícil identificar de quem Ailton Wanderley está falando. É de conhecimento público quem são dos deputados que possuem empresas com contratos firmados junto ao Governo do Estado. E no caso da Sesau, é mais fácil ainda citar o nome do senador que está exercendo essa pressão. Os indícios apontam para Mecias de Jesus (PRB). Ainda como deputado, ele criou uma lei para ampliar a fatia do orçamento destinada à saúde estadual, de 12% para 18%. Denarium recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), com uma ADI para reverter a lei. Com mais orçamento, Mecias conseguia captar mais recursos. A empresa União Comércio e Serviços LTDA é diretamente ligada ao Senador, está no nome de dois primos de Mecias que vivem em casas humildes, nada condizentes com o volume de recursos movimentado pela empresa.

 

Faz tempo

Não é de hoje que essas denúncias se tornam públicas. O próprio Roraima em Tempo recebeu um envelope anônimo com informações sobre as movimentações financeiras da empresa União. Pra quem não lembra, a União foi contratada para diferentes serviços pelo Governo de Roraima e recebeu entre os anos de 2015 a 2018, mais de R$ 80 milhões. Nas informações do Cadastro Nacional de Pessoa Física (CNPJ), o empreendimento tem como sócios proprietários os irmãos Gilmar Pereira de Araújo e Antônia Pereira de Araújo, parentes diretos de Mecias de Jesus. O senador esteve na base aliada do Governo de Suely Campos até 2017, quando anunciou a participação na coligação do governador Antônio Denarium. Como aliado político de Suely, Mecias fez indicações para a ocupação de diversos cargos de alto escalão na SESAU, coincidindo com o período de contratação e dos maiores pagamentos efetuados à empresa União.

 

Pressão

Pelo que se comenta nos bastidores, Ailton não cedeu a essas pressões porque não queria ser conivente com os absurdos que ainda acontecem na SESAU. O ex-secretário bateu o pé e não acietou a interferência de Mecias de Jesus. O problema é que, suas saída da pasta, abre espaço para que o senador faça as indicações que tanto deseja e assim, passe também a controlar os contratos e pagamentos da Sesau. Se isso acontecer, Mecias será o parlamentar com maior poder dentro da administração de Denarium. Hoje, o senador do PRB tem o comando da CAER, da CER e de parte da Codesaima. Todas as três pastas apresentam características em comum: possuem fontes de receita próprias e muitos problemas que precisam ser resolvidos. Mas, para os problemas, Mecias segue calado.

 

Cedeu

A manutenção de vetos estabelecidos por Denarium à propostas que alteram o orçamento é um claro sinal de que o governador finalmente cedeu aos apelos dos deputados estaduais e conseguiu estabelecer o equilíbrio necessários para aprovar o Orçamento. Outro sinal de que as conversas avançaram é a nomeação de Luiza Maura como adjunta da Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh). Ela, que já presidiu a Fundação, é apadrinhada política do deputado Jânio Xingu (PSB), um dos que ainda mantinha resistência direta à Denarium. A presença da loira no cargo do primeiro escalão é um claro sinal de que as negociações estão sim, acontecendo e que Denarium entendeu que não adianta ser irredutível em alguns posicionamentos quando se está num meio político, onde todos de alguma forma, buscam se favorecer.

 

Previdência

Por um tema bem mais preocupante, outro que também percebeu a necessidade de criar mecanismos de aproximação e diálogo com partidos, deputados federais e senadores, foi o próprio presidente Jair Bolsonaro (PSL). Nesta quinta-feira (4), o Governo Federal abriu espaço na agenda para uma reunião com os presidentes dos partidos políticos. É o primeiro sinal de aproximação e de abertura da equipe de governo afinal Bolsonaro precisa ter o apoio maciço do Congresso Nacional. Sem isso, a proposta de reforma da Previdência seguirá estagnada, comprometendo a economia do país e sua própria gestão. O desafio é grande, como grande terá que ser a humildade do presidente ao lidar com todos os parlamentares na tentativa de convencimento para das regras da nova Previdência e superar as máculas geradas pelas últimas declarações polêmicas feitas por Bolsonaro.

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